Soltroia 2009
Acabei de ler um livro de Miguel Sousa Tavares, chamado "No teu deserto".
São neste momento 3.59 da manha, estive lá fora até agora embrenhado numa história, numa vida, que me fez sentir vivo.
Isto é difícil de explicar, pois a verdade é que não sei o que é estar vivo, sei apenas o que é sentir qualquer coisa que se afasta do normal, que me faz sentir diferente do que me sinto em todos os dias da minha vida, feliz ou infeliz, importante ou "acessório", este livro levou-me lá.
Por momentos encontrei-me nas palavras, ou melhor, nos cenários, sentimentos, situações que as palavras descreveram.
Não sei o que quero ou o que é esta procura louca por algo que não sei se existe, que no fundo acho que nunca encontrarei. Esta insatisfação permanente, esta vida de mentira, este teatro... que resignadamente vou alinhando...fingindo significar alguma coisa...
Será que esta vontade de viver no limite, de conhecer tudo, o mundo, as pessoas, sentir-me vivo, procurar o improcurável... será apenas uma fase? algo justificado pelos 22 anos com que me apresento?
E que como a Cláudia irei chegar a uma altura em que irei precisar do "vulgar" lugar familiar, onde alguém me espera, onde alguém me ama todas as noites, todos os dias... onde não existe aventura mas sim conforto e atenção?....
Estarei eu a ser contagiado de tal maneira pela necessidade de comunicar, de não estar sozinho, de falar desnecessariamente, falar por falar... como todos...como toda a gente... de tal maneira que ponha em dúvida os meus ideais? a minha procura?
O tempo... sinto que passa, e com que velocidade... provavelmente isto dito por mim em qualquer dos contextos soltará a risada de qualquer pessoa mais madura..."oh filho... tens 22 anos...ainda tens muito tempo para viver"... tenho? Como tenho? Se nos primeiros 22 anos nada fiz que me enchesse, nada encontrei que desperta-se em mim algo que não sei o que é pois nunca o senti, apenas sei que o procuro, que o quero encontrar com todas as minhas forças, no meio desta mentira, desta vida impingida...
Obrigado Miguel, por estas páginas de realidade... fizeste-me pensar... fizeste-me sentir uma proximidade estranha entre mim e o que escreves-te ali, naquele livro branco em cima do sofá... gostava de me sentar a falar sobre isto contigo e apesar de saber que nunca irá acontecer, fica o desejo, que como a Cláudia imaginou: não será preciso fazer-te chegar este texto para saberes que o escrevi e o senti.
São agora 4:32...
Vou dormir...
JR
terça-feira, 21 de julho de 2009
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